SOBRE O FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MENINAS e MULHERES

SOBRE O FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MENINAS e MULHERES
Autoria: SUELI APARECIDA LOPES (SEC. Formação Política e Cultura da APP – Londrina.)
A ONU criou uma Campanha Global no dia 20 de novembro de 2022, consistindo em 21 dias de Ativismo mundial para alertar e cessar todo tipo de violência contra as Mulheres no mundo todo. Sobre este tema o Brasil é o quinto em números e gravidade em casos que causam danos físicos, morais e psicológicos contra as mulheres. Neste país tão desigual, as maiores vítimas são as mulheres negras.
APP Sindicato possui uma pasta destinada a essa reflexão, pois é composto em mais de 85% por mulheres. Nesse contexto, em Londrina foi criado o Observatório sobre a violência contra as mulheres em 2011, marcando um cronograma de várias ações e combate implacável a estes crimes: O Dia Estadual de Combate ao Feminicídio (22/07); o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25/7) e outras atividades. Estas ações forjaram as bases inclusive, das legislações atuais e tão importantes, como Lei Maria da Penha 11.340 de (07/08/2006), além da Lei do Feminicídio 13.104 criada em 2015.
Em 2021, foi implantado no município de Londrina, o NEIAS – Observatório sobre o feminicídio, entidade criada numa parceria entre a UEL-Universidade Estadual de Londrina, Movimentos Feministas locais, a Secretaria Municipal das Mulheres e demais órgãos civis.
Não podemos mesmo aceitar no Brasil, a ocorrência de um estupro a cada oito minutos, segundo dados do Anuário da Segurança Pública, um dos maiores índices de feminicídio no mundo. Nosso país é campeão em casamento infantil, o lugar onde mais se morre em decorrência da criminalização do aborto, um país onde milhões de crianças crescem sem o nome do pai na certidão. Existe uma tolerância e convivência natural e diária com estupro, agressão, morte e abandono. Na realidade, ocorre no país um genocídio de mulheres cotidianamente.
Em particular, o Estado do Paraná é o 7° Estado em número de feminicídios no Brasil: São dezenas de casos ocorridos entre os quais podemos relatar uns emblemáticos, pois em 2020 foram 1727 mortes de mulheres assassinadas, um aumento de cerca de 10%, sobretudo nos homicídios praticados com armas de fogo, mas os crimes ocorrem de todas as formas e em todos os estados do país, a saber:
Em 01/05/2015, Donizete Alves Pereira, assassinou Márcia Aparecida dos Santos, então sua esposa, com ferimentos de roçadeira, em Tamarana, diante dos dois filhos, de 9 e 11 anos.
Em 2019, foi assassinada a advogada Tatiane Spitzner pelo marido Luís Felipe Manvalier em Guarapuava, depois de várias agressões, filmadas pelas câmeras do prédio onde eles moravam, depois ele jogou o corpo pela janela.
Em 2019, Cidnéia Aparecida Mariano da Costa (NEIA) foi violentamente espancada pelo ex-marido e deixada à beira da estrada, vindo a falecer dois anos depois (2021), após meses de internação hospitalar e luta pela sobrevivência em localidade no norte paranaense.
Em 06/07 2020, em Londrina, Sandra Mara Curti, foi assassinada com mais de 20 facadas, na frente dos dois filhos, então com 8 e 12 anos, pelo marido Alan Borges.
Existe mesmo, um apagamento diário de parte das mídias que dão chamadas e manchetes naturalizando a violência contra as mulheres.São coberturas jornalísticas que não são especializadas na proteção de mulheres. Culpam as vítimas, questionam seus relatos, seus hábitos, suas roupas. Publicam a fala dos agressores como que normalizando os crimes:
Em 2021, um assassino proferiu no seu depoimento à polícia: —— “ Eu a matei depois de fazermos sexo”. Pelo visto, desde o título ao conteúdo das matérias, trata-se da prática de uma mídia patriarcal de sempre, que esconde a precarização de políticas públicas de proteção à mulher, ignora o genocídio e divulga a política de estupro praticada contra mulheres no país, promovendo e destacando em manchetes, o que os assassinos fizeram como atitudes banais. Como alguém pode afirmar que praticou sexo com uma pessoa desconhecida, que ele selecionou num ponto de ônibus, que ali estava depois de um dia de trabalho, deixando seus familiares à sua espera até hoje. Ele a escolheu como a um produto numa vitrine, para o abate. Este crime ocorreu em 2021, Joice Maria da Glória Rodrigues, foi violentada e morta em São Vicente, no litoral de São Paulo, por um pedreiro desconhecido, que depois da barbárie, ainda concretou o seu corpo numa parede afim de escondê-lo.
Em Curitiba em 03/11/2022- Suellen Helena Rodrigues (de Prudentópolis), de onde fugiu a 30 dias, com medo do seu algoz, mesmo assim, foi morta a tiros na frente dos filhos de 8 e 10 anos, durante o período eleitoral no qual as leis impediram a prisão de seu assassino, o ex-marido o advogado Jaminus Quedaros Aquino, de 59 anos.
Ainda neste 2022, na zona rural de Prudentópolis- Pr, Rafaela de Fátima Miranda saiu para trabalhar no dia 7 de outubro e não voltou mais. Seu corpo foi encontrado dias depois numa lama, seu assassino de 20 anos, confessou o crime.
Este texto seria um relatório gigante, pois as vítimas são inúmeras. Mais do que declinar respeito e uma homenagem as meninas e mulheres que tiveram seus corpos violados e foram assassinadas por homens machistas, violentos misóginos, que não gostam de mulheres e ao se tornarem assassinos precisam ser punidos, julgados, sentenciados e presos. Uma questão de justiça, pois as vidas não mais retornam para seus familiares amados. A sociedade está doente e precisa se tratar. Aprender a respeitar o corpo, a vontade e as decisões das mulheres. É preciso o respeito à dignidade da mulher como ser humano, livre, pleno, com sentimentos e inteligência próprias.
Desta maneira, assim como o Encontro ocorrido em Prudentópolis no sábado 03/12/2022, com dezenas de mulheres de todo o Paraná; nós precisamos dar um basta, precisamos parar de chorar nos sepultamentos. É urgente que haja uma rede de apoio sério e de atuação, incessante pela vida das mulheres que não são objetos masculinos. Não são peças descartáveis nas mãos de pessoas fascistas, violentas, que desprezam as vidas dos semelhantes, sobretudo das meninas e mulheres.
A APP Sindicato está absolutamente ao lado dos familiares, filhos órfãos, avós, mães, que ao perderem a vida do ente querido, fica à mercê do sistema judiciário, de uma imprensa geralmente omissa e de parte de governantes insensíveis que desprezam a existência deste ser humano do gênero feminino. Estaremos aqui denunciando e exigindo políticas públicas que protejam as mulheres, como elas são. Não soltaremos a mão de nenhuma, até que todas sejam livres e tenham vida segura e em abundância. Meninas e mulheres presentes…. Todas presentes… Sueli Aparecida Lopes